Informações equivocadas sobre a literatura de cordel e o repente de viola
 
 

 

Aqui você vai encontrar uma relação dos erros mais comuns que os sites e livros nos informam sobre o cordel e o repente. Em breve, colocarei outros tantos:

- O folheto brasileiro pode ser escrito em prosa ou em verso. Nunca! O cordel brasileiro é invariavelmente escrito em versos. A literatura de cordel ibérica é que poderia ser, tanto em prosa como em verso.

-"Vaca Estrela e Boi Fub" do poeta Patativa do Assaré é literatura de cordel. Não! O mestre Patativa escreveu muito "poesia matuta", outro estilo da literatura sertanejo- nordestina- Que diferente do cordel: O cordel utiliza as modalidades da cantoria de viola, e sempre rimas com o mesmo som. A Poesia Matuta usa muito quadras e rimas com som parecido.

- Cordel e repente são as mesmas manifestações. Não! A literatura de cordel e o repente são duas manifestações distintas, embora interligadas.

O cordel é diferente
Do repente improvisado
O cordel é sempre escrito
Em folheto e declamado
O repente é improviso
Sem ter nada decorado.
(Estrofe retirada do livro "Vida Rima com cordel" Ed. Salesiana.)

- O improviso do tipo "embolada", feito ao som de pandeiros, segue as regras do cordel. Não! A manifestação de improviso que deu origem literatura de cordel, é a cantoria feita com viola, no com pandeiro. Existem muitas outras formas de improviso poético pelo Brasil (Cururu, Rap, Partido alto, etc) cada um desenvolvido em uma região e com características e tradições próprias.

- Os folhetos de cordel são feitos em papel de péssima qualidade. Não! Hoje em dia os poetas utilizam o melhor recurso gráfico possível para a impressão dos seus folhetos.

- A literatura de cordel é assim chamada pelo fato dos folhetos serem expostos pendurados em barbantes e vendidos em feiras do nordeste brasileiro. Não! A frase estaria certa se terminasse assim: "A literatura de cordel é assim chamada pelo fato dos folhetos serem expostos pendurados em barbantes e vendidos em feiras em Portugal. No nordeste, o nome dado é "folhetos" ou "romance". No Brasil, muitos cordelistas não perpetuaram a tradição de pendurar folhetos em barbantes e vendiam seus folhetos em bancas, no chão, etc.

- Todo cordel tem ilustração em xilogravura. Muitos tem, outros não. Embora a xilogravura esteja umbilicalmente ligada aos folhetos de cordel.

- Repente é o desafio de cantadores. Esta é apenas uma das mais de cinqüenta modalidades do universo da cantoria nordestina.

- Todo repentista é nordestino. Não! Temos inúmeras manifestações de improviso poético por todo o Brasil, América Latina, Europa, Ásia, enfim, por todo o mundo...